Tradição e Memória: Oficina “Estrela Cofrinho” resgata a história da comunidade marisqueira em Torres

Valorizar as raízes locais e preservar o patrimônio cultural do litoral. A Prefeitura Municipal de Torres esteve presente, como convidada, prestigiando a Oficina Cofrinho, promovida através de projeto da Colônia de Pescadores Z-7 e contemplada por edital do Ministério da Pesca. A atividade foi ministrada pela pesquisadora Maria do Carmo Conforti Rodrigues, presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Torres, resgatando a história e a confecção do artesanato tradicional da comunidade marisqueira do Canto da Ronda.

Mais de 200 anos de história no Litoral Norte
Também conhecida como Estrela Giramundo, Estrela de São Miguel ou Estrela de Boas Intenções, a peça artesanal possui registros de mais de dois séculos. Na região, a tradição é ligada aos casais açorianos e às famílias de pescadores e marisqueiras.

Historicamente, as mães confeccionavam a estrela com sobras de tecidos para presentear as filhas ao se casarem. A peça guardava um segredo em seu interior: um lado aberto servia para guardar moedas discretamente, criando uma reserva de emergência para períodos em que a pesca no alto-mar não trazia o retorno esperado. Disfarçada como almofada de alfinetes, protegia as economias do lar.

Além da utilidade prática, o artesanato era um amuleto de proteção: durante o feitio, mentalizavam-se orações e boas intenções para a nova família.

Principais destaques da Oficina Cofrinho
Iniciativa e Financiamento: Projeto realizado pela Colônia de Pescadores Z-7, viabilizado por edital do Ministério da Pesca, com a Prefeitura de Torres presente como convidada prestigiando o evento.

Representatividade: Atividade ministrada por Maria do Carmo Conforti Rodrigues, presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Torres.
Resgate da Mariscagem: Foco na valorização da identidade artesanal da comunidade “Marisqueira” do Canto da Ronda.
Técnica Sustentável: Montada com retângulos de tecido (6 x 9 cm), cola bastão e papelão ou caixas de leite reutilizadas.
Estrutura Geométrica: A confecção utiliza 60 losangos de tecido e papelão costurados em 12 flores pentagonais que formam a estrela.

A preservação do nosso patrimônio imaterial ganha força quando a comunidade se une para recontar histórias de sabedoria e cooperação. Como lembra o verso popular que embala esse artesanato: “gira mundo, e o mundo gira… e a cada volta, se vê outra cor, outra flor, outra vida”. Uma tradição viva que segue enriquecendo a cultura do nosso município.

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